segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Antigamente...

Eu adoro viajar em fotos antigas da cidade São Paulo.

Conversando um dia com a avó "postiça" do meu marido, ela me contava como a Paulista era linda. Antigamente não tinha prédios altos, trânsito, pessoas andando para lá e para cá, metrô e a loucura da paulicéia desvairada.

A famosa Av. Paulista era feita das belezas dos seus antigos casarões, pessoas bem vestidas passeando com a família, a calmaria e muitas árvores.

Antigamente, a Paulista, Consolação e outras ruas/bairros localizados na região sul de São Paulo, não era uma grande atração para morar na antiga São Paulo, por estarem longe do centro.

Quando construiriam o Cemitério da Consolação, o responsável nunca pensou no crescimento da cidade, assim, construindo o famoso cemitério longe da civilização. Porém, a sua localização tinha que ser perto da faculdade de medicina (para locomoção fácil dos mortos) e o hospital Santa Casa. A querida vovó, contava que as pessoas tinham medo de morar perto dos cemitérios por causa de assombrações e existia a questão saúde, antigamente a medicina não era tão avançada como hoje.

Voltando a sua história, ela morava na Bela Vista, perto da Av. Paulista. Para quem é de outro estado e não conhece bem essa cidade, a Bela Vista é o Bairro do Bixiga, aonde os italianos se instalaram para construir a pequena Itália. Como a família dela era italiana, logo instalaram em um casarão enorme.

Na parte da frente o seu pai fez um açougue e atrás era os aposentos da família e dos parentes maternos e paternos que viajaram juntos para o Brasil. Todos os familiares ajudavam no açougue e no tempo livre, as mulheres cuidavam da casa, faziam as refeições e organizavam a vida social.

Foi lá que ela aprendeu tudo sobre carne e com a mãe a gastronomia italiana. Com o passar do tempo, ela se apaixonou por um italiano, estudante de medicina, que morava na Consolação. Ela lembra dos passeios de charrete acompanhada com algum irmão (os carros eram apenas para os famosos Barões) até a residência do seu amado.

Ela me contava com toda a emoção o trajeto pela Paulista, as casas e as pessoas. Quando chovia e ela estava no meio do caminho, ficava triste já que o passeio era cancelado. Todos que estavam na charrete se sujavam de terra molhada e voltavam para casa.

Depois, ela ficava ansiosa esperando o tempo melhorar, a chuva parar, o barro secar, para poder se arrumar e ver o seu futuro marido que estava se formando em medicina na Faculdade de Medicina de São Paulo.

Eu queria ter a mesma graça de escrever toda a emoção que ela me passou no dia que contou a sua história, é muito mais bonito e emocionante!
Apesar de não ter a mesma emoção, toda vez que eu lembro da nossa conversa, eu imagino a pequena São Paulo charmosa de antigamente.

9 comentários:

Cláudia M. 14 de setembro de 2009 06:34  

Parabéns, Nana. O teu novo blog está com um visual muito lindo, gostei muito.
E adoro fotos antigas e muita coisa do tempo das nossas avós (aliás, digo muitas vezes que gostava de ter vivido noutra época, mais recuada, o pior é que não havia internet... )

bjs

Lourdes Sabioni 14 de setembro de 2009 09:46  

Naninha pois que eu me lembro perfeitamente da estação da Luz onde algumas vezes fui com meu pai usando o velho trem...e o chiclete Ping Pong? que delícia que ele era...em menos de 10 anos o sabor original se perdeu na memória das crianças dos anos 60...quantas saudades!

Rosi 14 de setembro de 2009 10:16  

O que mais me agrada no antigo são as fotos, sejam elas de pessoas ou lugares.
É incrível ver como eram as avenidas Paulista e Consolação, hoje não há nem um vestígio desse passado.
Eu adoraria poder fazer essa viagem pessoalmente, andar de bonde ou trem, usar chapéus, nadar no Rio Tietê...por que não?
Uma delícia de post.

Gina 14 de setembro de 2009 14:04  

As cidades guardam histórias, que ficam na memória de quem as viveu.
Minha mãe tem uma memória excelente. Quando resolvi preparar um vídeo sobre a vida dos meus pais, fiz uma entrevista com minha mãe. Foi exatamente essa mesma sensação que você teve ao vê-la narrando, com emoção e riqueza de detalhes, os lugares que viveu.
Belo post, Nana

Elaine Andrade 14 de setembro de 2009 18:43  

Nana , que fofura aqui...depois venho com calma pra ler tudo.

Deixei um link lá em baixo do seu comentário lá no "Novata". Passa lá...

Bjão

Bia Bueno 14 de setembro de 2009 22:34  

Olha!!! Minha casa e meu trabalhoooo!

Bia Bueno 14 de setembro de 2009 22:37  

Sua família é do Bixiga?

MULHER BÁSICA 15 de setembro de 2009 08:23  

Que lindas fotos... sabe o q me deixa mais impressionada??? É q não faz muito tempo q as coisas mudaram...só aconteceram numa velocidade absurda... história linda da sua vó postiça tb... hehehe...
Bjão

Nani Veiga 21 de setembro de 2009 21:44  

Nana eu amei cada palavra do seu texto,eu tambem amo história não só de SP,mas de todos os lugares,de objetos,de pessoas,e sempre que posso conversar com pessoas mais velhas que tem história...Sento e nem vejo tempo passar...

Beijos
Nani

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