Eu adoro viajar em fotos antigas da cidade São Paulo.
Conversando um dia com a avó "postiça" do meu marido, ela me contava como a Paulista era linda. Antigamente não tinha prédios altos, trânsito, pessoas andando para lá e para cá, metrô e a loucura da paulicéia desvairada.
A famosa Av. Paulista era feita das belezas dos seus antigos casarões, pessoas bem vestidas passeando com a família, a calmaria e muitas árvores.
Antigamente, a Paulista, Consolação e outras ruas/bairros localizados na região sul de São Paulo, não era uma grande atração para morar na antiga São Paulo, por estarem longe do centro.
Quando construiriam o Cemitério da Consolação, o responsável nunca pensou no crescimento da cidade, assim, construindo o famoso cemitério longe da civilização. Porém, a sua localização tinha que ser perto da faculdade de medicina (para locomoção fácil dos mortos) e o hospital Santa Casa. A querida vovó, contava que as pessoas tinham medo de morar perto dos cemitérios por causa de assombrações e existia a questão saúde, antigamente a medicina não era tão avançada como hoje.
Voltando a sua história, ela morava na Bela Vista, perto da Av. Paulista. Para quem é de outro estado e não conhece bem essa cidade, a Bela Vista é o Bairro do Bixiga, aonde os italianos se instalaram para construir a pequena Itália. Como a família dela era italiana, logo instalaram em um casarão enorme.
Na parte da frente o seu pai fez um açougue e atrás era os aposentos da família e dos parentes maternos e paternos que viajaram juntos para o Brasil. Todos os familiares ajudavam no açougue e no tempo livre, as mulheres cuidavam da casa, faziam as refeições e organizavam a vida social.
Foi lá que ela aprendeu tudo sobre carne e com a mãe a gastronomia italiana. Com o passar do tempo, ela se apaixonou por um italiano, estudante de medicina, que morava na Consolação. Ela lembra dos passeios de charrete acompanhada com algum irmão (os carros eram apenas para os famosos Barões) até a residência do seu amado.
Ela me contava com toda a emoção o trajeto pela Paulista, as casas e as pessoas. Quando chovia e ela estava no meio do caminho, ficava triste já que o passeio era cancelado. Todos que estavam na charrete se sujavam de terra molhada e voltavam para casa.
Depois, ela ficava ansiosa esperando o tempo melhorar, a chuva parar, o barro secar, para poder se arrumar e ver o seu futuro marido que estava se formando em medicina na Faculdade de Medicina de São Paulo.
Eu queria ter a mesma graça de escrever toda a emoção que ela me passou no dia que contou a sua história, é muito mais bonito e emocionante!
Apesar de não ter a mesma emoção, toda vez que eu lembro da nossa conversa, eu imagino a pequena São Paulo charmosa de antigamente.
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